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Jack Entrevista: SuperSonic!

Não é segredo para ninguém que eu, Fábio e outros nomes do blog somos fãs da luta-livre nacional. Porém quando se fala da Luta-Livre Nacional, as opiniões são muito divididas e certo é que poucos realmente a conhecem de verdade. Muito disso devido a falta de material sobre o assunto na internet, já que durante a chamada "a época de ouro" da Luta Livre Brasileira, ou até mesmo posteriormente, a comunidade da brasileira da luta-livre não estava organizada o suficiente para formar este material, coisa que mudou com o "boom" dos blogs de Wrestling no Brasil. E nesse esforço para que todos conheçam melhor a maravilhosa luta-livre brasileira, trazemos hoje uma entrevista com um dos principais lutadores da terra-brasilis: SuperSonic!

SuperSonic é um lutador que faz parte do time de Rey Mysterio, El Generico, Blue Demon e El Santo: Um lutador máscarado, que tem como característica sua agilidade e vôos no ringue. Nesta entrevista falamos sobre como é o treinamento de um lutador de luta-livre, da infra-estrutura da luta-livre brasileira, passado, presente e futuro do wrestling nacional, entre outros temas.

Nós do This is Wrestling pretendemos cada vez mais trazer este tipo de conteúdo exclusivo e abraçar a cobertura Luta-Livre brasileira como mais um de nossos objetivos.

Confiram a entrevista na continuação do post.

Jack: Seja bem vindo ao TIW SuperSonic. Sabemos que você é fã da luta livre há muito tempo e que a conheceu através dos video-games, como tantos outros. Mas como foi que você começou os seus treinamentos? E onde?
SuperSonic: Primeiramente agraço pelo espaço cedido e parabéns pelo excelente trabalho que não só vocês, mas diversos blogs sobre luta livre vem fazendo.
Eu sou BWF de carteirinha, desde o primeiro dia que vi a academia. Isto poderia ter sido mudado caso a política de outras equipes nacionais não fosse tão centrada e estereotipada como acontece, o que impediu que eu iniciasse meus treinamentos anteriormente. Mas como diz o ditado. “tudo vem na hora certa.”
Conhecida nacionalmente como Campeões do Ringue, a academia da equipe do Bob Jr localizava-se na Rua Pantojo, na Água Rasa, São Paulo - SP, há anos e anos, mas eu jamais imaginara que estava tão perto da academia. (moro a alguns quarteirões do antigo centro de treinamento)
Certo dia meu primo me convidou para ir conhecer a academia, onde o pai dele havia treinado luta livre quando era rapaz, e eu, com meus 17 anos, fã de luta livre desde os 10, quando conheci os jogos da WWF, fui tão feliz quanto uma criança que vai à loja de brinquedos comprar seu brinquedo mais desejado.
Cheguei lá e vi grandes astros e alguns ídolos meus treinando, mas o próprio Bob Jr, até aquele devido instante, jamais havia visto. Em questão de semanas eu já estava me adaptando aos treinos, e mesmo sofrendo com dores e cansaço. Jamais desistia, e todos lutadores da BWF, hoje meus amigos além de tudo, sempre motivavam não só eu mas meu irmão e alguns amigos à avançar sempre

Jack: Então você não é o primeiro lutador da família! Tome cuidado para não receber um convite de Randy Orton para se juntar a Stable rs.. E como é a rotina de treinamentos de um praticante da luta-livre?
SuperSonic: Sim, sou o primeiro. Meus pais e avós curtiam assistir, são fãs incondicionais de Ted Boy Marino, mas não gostam muito da idéia de eu fazer parte.
Bom, para mim, inicialmente os treinamentos foram um massacre, mas não por que é um devido massacre, e sim porque eu jamais havia treinado qualquer modalidade esportiva, então estava começando tudo do zero.
No começo pegávamos muito pesado em condicionamento físico e até musculação. Eu comecei a treinar para ganhar resistência e massa corpórea, pois eu era bem esguio. Depois se começa a aprender as quedas, que é onde muitos desistem devido a inúmeros treinamentos repetitivos e desgastantes, e conforme o aperfeiçoamento e costume com as quedas, aprendemos os primeiros golpes. Em seguida, lá para o 6º mês de treinamento, vem a parte mais divertida, a mescla de tudo, onde você sobe no ringue e coloca em pratica o que sabe e absorve mais de pessoas mais experientes. Tive o privilegio de treinar com Caipira Dom Afonso, Indio Comanche, Jeca Tatu Cardoso, Vingador, Xandão, Brutus, Mario Boy, Tony Smith, Nino Mercury, Bob Léo e vários outros grandes fenômenos da luta livre nacional, sem citar é claro meu mentor Bob Jr e meus amigos Cachorrão, Vira-Lata, Pecus, Twister e vários outros já conhecidos no ramo.
No geral, tem que arrumar um tempo dentre faculdade, serviço, família e amigos e dedicar-se a seu corpo e sua mente, pois subir num ringue e fazer um show de qualidade não é fácil como parece.

Jack: Só nome de respeito. Grandes lutadores que todos precisam conhecer mais de perto. Ainda espero assistir um combate de Nino Mercury ao vivo.
SuperSonic: Com certeza verá... ele só para quando colocarem-o à 7 palmos abaixo da terra. Exemplo de atleta, exemplo de vida. E ai de quem fala mal da luta livre pra ele (risos)

Jack: Sem dúvidas. É um grande herói para todos os fãs da luta-livre. Aproveitando a deixa, no quadro atual da luta-livre nacional, vemos lutadores de uma nova geração como você, os Motoloucos e outros, dividindo ringue com lutadores de uma geração bem anterior, de shows televisionados e etc, como Mozart, Fumanchu, Bob Leo e Caipira Dom Afonso. Como é subir no ringue com eles? Pois até mesmo o estilo de combate é diferente. E como é essa relação entre as 2 gerações fora do ringue?
SuperSonic: Subir no ringue com eles é uma maravilha! Os melhores combates saem nestas horas, pois parecem adultos ensinando crianças a andar. No momento do combate te ensinam coisas, te elogiam, te xingam, conversam. Tem de tudo um pouco, é são ótimas experiências. É nessa hora que um lutador torna-se um verdadeiro lutador, pois aprende na prática o que é a luta livre.
De uma média de 40 lutas que tenho nestes dois anos e meio que luto em praticamente todos os shows promovidos pelas equipes englobadas na BWF, mais da metade são com lutadores mais antigos (mais experientes seria muito pretensioso de minha parte. Estou engatinhando nos ringues, todos da equipe tem mais experiência que eu (risos) ), e é nestes combates que aprendo o que nenhum treino ensina. Não desmerecendo os mais jovens, mas eles mesmos podem comprovar este aprendizado.
Fora do ringue vejo todos sempre muito alegres e com uma amizade muito forte. Eu mesmo mantenho-me mais quieto, em meu canto. Até me zoam de “mudo”, pois falo pouco e me reservo a brincar e puxar assunto só com os mais próximos. Todos se respeitam muito e separam bem a vida social da vida de lutador, e chega a ser cômico alguns momentos de descontração com todos juntos.

Jack: Isso na maioria das vezes não é? Pois lembro que alguém, acho que o Vira-Lata, confessou ter medo de encontrar o Caboclo Selvagem andando na rua hahaha
SuperSonic: hahaha realmente, tem uns que assustam

Jack: Quando se trata da geração de ouro da luta-livre nacional, temos muitas histórias boas e muitas histórias de sucesso. Lembramos que Galvão Bueno já narrou luta-livre e a audiência de um bom combate já ganhou do fantástico. No final dos anos 50 e durante os anos 60, já chegamos a ter vários canais transmitindo a luta livre como TV Excelcior, TV Globo e Bandeirantes com o Bolinha.
Nessa época, muitos lutadores decidiram deixar de ser apenas lutadores e criaram suas próprias equipes. Você acha que essa divisão dividiu as forças da luta-livre, atrapalhando o processo de se manter popular?
SuperSonic: Não sou muito ligado a essa parte digamos “administrativa” da coisa toda, mas isso com certeza atrapalha. Como diz o ditado, “em time que esta ganhando não se mexe”. Cada um resolveu ir para seu lado e olhar para seu bolso e sua fama, e isso com certeza tirou grande prestigio da luta livre e parcialmente apagou esta maravilha de espetáculo da cultura nacional.

Jack: Todos sempre citam "empresários ruins" como o maior problema da luta livre, já que a paixão sempre existiu e os lutadores também. Em sua opinião, como exatamente esses "empresários ruins" prejudicaram a luta livre, com reflexos até hoje?
SuperSonic: Como já disse acima, não sou muito ligado a esta parte do show, mas como é natural do ser humano, quando muita gente quer ser “chefe”, acabam acontecendo brigas.
Diretamente relacionado à minha pessoa, já tive a infelicidade de viajar para fazer shows e não receber os cachês propostos, às vezes nem receber nada. Agora basta ligar as coisas: Se um dito “dono de equipe” não paga nem o profissional que vai lhe prestar serviços, como este será um bom empresário?
Não luto por dinheiro, até porque infelizmente é praticamente impossível viver de luta livre em nosso país, mas questões éticas são colocadas em jogo, e se eu fosse um grande empresário garanto que não investiria em um show comandado por irresponsáveis.
Sou fã e faço parte da BWF porque nunca me faltaram com nada, e a equipe responsável de cada setor dentro da empresa arca com suas responsabilidades sem deixar à desejar, tudo dentro dos conformes, até onde está à vosso alcance, é claro.

Jack: Pois é. Hoje o quadro da luta livre é muito promissor. A BWF tem feito um trabalho de renovação fenomenal que deixa os fãs todos suspirando e ansiosos. Com certeza a federação já tem inúmeros torcedores pelo sucesso dela! Fico feliz em saber que personagens importantes da nossa história como a Caveira e o Fantomas, porque vemos que está tudo em boas mãos. Também sabemos que a BWF vem com inúmeras novidades como já vem sendo anunciado no BWF Combate, como ser televisionada em SP e os novos títulos no futuro. Já se imaginou com um cinturão SuperSonic? Precisa já ir pensando se vai carrega-lo na cintura, no peito ou nas mãos mesmo para a entrada no ringue rs..
SuperSonic: Olha, essa é complicada ein? Que lutador não se vê com um cinturão?! (risos). Eu sempre tive o sonho de ser Cruiserweight Champion na WWE. Era uma meta de vida, até que infelizmente o título foi tirado de circulação.
Eu sonho em um dia ser campeão da BWF, título maior dentre os que ouvi estar no planejamento. Caso haja alguma divisão de pesos leves, to dentro! Não me vejo como campeão de duplas, pois desde que meu irmão desistiu de treinar, fiquei um “guerreiro solitário”, mas é uma possibilidade, porque não?!

Jack: Sobre esses bastidores da luta-livre, sabemos que no Brasil temos diversos fatores que complicam a coisa. Principalmente com relação a produção do show, já que tudo é muito caro. Mas uma coisa que é interessante mostrar a todos é sobre como vocês conseguem superar esses problemas. Por exemplo, no Brasil não há lojas especializadas em Wrestling. Sendo assim, como é produzido o ringue? E os figurinos não usuais, como a sua máscara? É necessário importar?
SuperSonic: O ringue tem que ser sob encomenda. Inclusive os mais atuais, aos moldes americanos, foram, digamos, instituídos no Brasil através do Bob Jr, que fez para o programa BWF quando ia ao ar pela Band. Atualmente este ringue, o melhor do Brasil em minha opinião, está com a equipe Gigantes do Ringue. Nunca tive oportunidade de lutar nele, mas pelas imagens, estrutura e pelo que falam dele, parece ser de um nível inigualável.
Quanto às roupas e equipamentos, temos que dar o jeitinho brasileiro. Cotoveleiras e joelheiras de voleibol ou futsal são bem vindas (risos). As botas, ou sapatilhas, são feitas sob encomenda, aqui no Brasil mesmo, ou compra-se uma bota a seu gosto e adapta. Eu mesmo até hoje uso uma bota que tem minha idade, e que já foi usada por diversos lutadores. O detalhe é que é quatro números maiores que meu pé, o que atrapalha um pouco na hora dos combates. Ainda não tenho a minha pois é meio caro para mandar fazer, e como sou super grande, fico dançando nas botas, (risos).
Quanto às calças e camisetas, nada que o bom e velho Brás não ajude. É só comprar o tecido e levar a uma costureira de confiança.
Já o lance das máscaras da uma grande dor de cabeça. Minha primeira máscara era a máscara do saudoso Vingador, que eu adaptei dois dias antes da minha estréia. Lembro-me quena primeira aparição usei a máscara adaptada, uma camiseta amarela com as mangas desfiadas, ao estilo mexicano, a calça com a qual treinava, uma bota branca emprestada e luvas. Depois usava a mesma máscara, agora sem uns detalhes amarelos que eu havia colocado, com uma camiseta que o Bob jr usava nas lutas quando tinha 16 anos mais ou menos, a calça do uniforme escolar da minha namorada que combinava com meu personagem, junto de uma luva que eu havia encontrado nas minhas tralhas e um cinto que eu mesmo confeccionei de cetim, baseado no cinto do lutador Sabu.
Em seguida eu mesmo fiz uma nova máscara, em casa, preta e branca com detalhes vermelhos, baseada na máscara do Rey Mysterio, e com esta eu usava a mesma vestimenta anterior, até que num dia decidi usar apenas uma calça preta, mais simples. Algum tempo depois assisti alguns combates do japonês Kendo Kashin, e fiz a máscara com o topo aberto, para personalizar um penteado acompanhando a idéia do personagem. Acabei ela meio atrasado, por isso ficou sem metade dos detalhes que eu pretendia colocar. Esta acompanhava a mesma vestimenta antiga, mais simples também. No ano passado meu irmão foi à Galeria do Rock, e me trouxe fotos de máscaras de luta livre importadas do México. Sem pensar duas vezes, peguei meu cartão de crédito e no dia seguinte estava com ela na costureira, adaptando pro tamanho da minha cabeça.
A alteração nesta roupagem de agora foi baseada numa foto que vi do Mistico, onde ele usava um bracelete ligado à luva e às cotoveleiras. Por fim, desenhei esta ultima, baseada no desenho Mucha Lucha, e minha tia fez o conjunto calça e máscara, que é o que uso atualmente (e minhas orelhas arderam bastante, pois deu um super trabalhão e ela num gostou muito (risos).).
Ainda não estou satisfeito, e uma nova e provável definitiva vestimenta já está em produção.

Jack: É realmente impressionante a montanha de trabalho que existe para se produzir um show de luta livre. Eu admiro muito o amor pela luta-livre dos membros das federações brasileiras. O Bob Jr como maestro da BWF, cuidando da produção dos shows e personagens, chegando a produzir os ringues..uau, é impressionante. Digo até mais, é cativante. Não é para qualquer um não. Pena que o melhor ringue não está com vocês, mas vocês conseguirão um ringue tão bom no futuro. E você pode ter certeza que mesmo sem o ringue, a nossa admiração está com vocês. Usar a máscara do Vingador deve ter sido incrível. Um grande base dos anos 70-90. Grandes histórias com os uniformes rs..
Mas voltando as suas atuações no ringue SuperSonic, sabemos que os seus movimentos são muito baseados na luta livre mexicana, o que é um diferencial no Brasil. Hurricanranas na terra do Drápis. Como foi o aprendizado destes movimentos mexicanos, que não são dominados por outros lutadores do Brasil? E qual movimento dentro do seu arsenal é o seu preferido?
SuperSonic: É até engraçado a história de meus movimentos e estilo no ringue. Quando comecei já era fã do Rey Mysterio, mas visava uma mescla de Dudley com Hardy Boyz, já máscarado, nada a ver com o que sou. Mas como meu irmão abandonou o barco, decidi explorar mais o lado mexicano.
O Bob Jr desde que entrei nos treinamentos já me viu fazendo um personagem mexicano, pela estatura, modo de agir, atuação no ringue e etc, e ele mesmo me ajudou e muito com os movimentos. Outros como Tony Smith, Cachorrão e Xandão também me deram uma boa base de bastante coisa.
Mas o grande diferencial era quando treinavamos somente eu e mais alguns alunos, sem o Bob Jr ou outro “responsável” por perto puxando o treinamento, pois aproveitávamos o tempo para treinar as loucuras que assistíamos na CMLL e AAA.
Hoje em dia cada lutador treina em seu local, com seu ringue e sua equipe, e quando todos nos juntamos para fazer o show, complica de colocar coisas legais, pois um não sabe o que o outro faz, e por isso muitos se rendem a fazer apenas o arroz com feijão. Às vezes da medo de tentar inovar em saber até onde o outro é capaz, o que ajuda mais ainda a limitar as acrobacias.
A academia da BWF até onde sei já está para ser inaugurada, e será uma boa oportunidade de todos treinarmos juntos e criarmos um senso melhor de o que podemos fazer, ajudar uns aos outros a mudar seu estilo de luta ou simplesmente adaptar coisas novas.
O grande empecilho nisso tudo infelizmente ainda é o ringue, pois com uma estrutura que não é tão resistente como devia acaba cedendo, o que afrouxa as cordas e atrapalha demasiadamente meu trabalho e de outros high flyers. Desde pegar o impulso necessário ao apoio para execução de manobras como o 619 é dificultado, por isso acaba perdendo a plasticidade de muita coisa, pois com medo de acidentes graves como já vi ocorrer, me seguro um pouco mais e me limito, ai os movimentos saem lentos, desagradáveis.
Eu gosto de tudo o que faço. Mais do que executar, eu realizo sonhos e metas à cada golpe que faço. Mas posso citar três em especial, que são o Frog Splash, que já executo há anos, baseado em outro ídolo, Rob Van Dam, o 619, por ser a marca registrada de meu ídolo maior na luta livre, e a headscissors do topo da ultima corda, que é um com o qual sempre delirava ao ver o Rey Rey fazendo nos combates na WCW e ECW.

Jack: O bom de você falar isso é pra que todos nós possamos ver quantos fatores são essenciais para que um combate de luta-livre ocorra com os lutadores dando o máximo de si, como qualidade do ringue, cordas e entrosamento. Tem gente que acha que é só subir e mandar brasa, que fique bem claro que não é rs.. Bom, ainda nestes fatores extra-ringue, gostaria de fazer uma última pergunta.

Sabemos que a luta livre é um esporte desgastante, pois além da técnica apurada para aplicar os movimentos de forma correta, exige também resistência a dor contra certos movimentos, técnicas de queda para saber receber "armdrags" e outros, além é claro do preparo físico para aguentar um combate inteiro sem "colocar a língua pra fora". Quais atividades paralelas ao treinamento, como musculação ou alguma arte-marcial, você julga importante para preparar melhor o lutador para o tranco? E quais delas você pratica?
SuperSonic: Essa é uma questão bem complexa, pois meu conhecimento é centrado na luta livre. Já treinei, nestes cinco anos de luta livre, musculação, ginástica olímpica, um pouco de hapkido e fiz algumas aulas de judô, além de jogar futebol americano e outros, mas para você ser lutador de luta livre, é só treinando a luta livre propriamente dita.
Outras artes marciais podem sim te preparar, com condicionamento, algumas quedas, golpes que você pode incorporar ao seu estilo, mas acho que acima de tudo, falando por experiência própria, acima de qualquer preparo você tem que ter amor à o que faz, para suportar as dores, respeito com você e com seu oponente, para evitar acidentes, e acima de tudo ser profissional, se cuidar, se preservar e procurar sempre melhorar no que for possível.
E é claro tem que ter espírito esportivo e ser meio maluco. Muito se vê lutadores que não gostam de literalmente apanhar em cima do ringue, e se você da uma chave ou uma pancada um pouco mais “real”, a pessoa chia. Eu já sou da linha “está no ringue, está lutando, é pra valer”, e gosto tanto de vender pancadas bem realizadas como dar pancadas o mais real possível, afinal, somos do ramo de entretenimento e todos sabem o fundamento da luta livre, mas como eu faço pelo esporte e sempre fui fã de lutas não vejo nada de ruim em elevar o nível das pancadas nos combates.

Jack: SuperSonic, muito obrigado pela ótima entrevista. Com certeza todos aprendemos muito sobre a realidade do mundo da luta-livre com palavras de alguém que está dentro dela, como você. Ficam os desejos de sucesso do TIW e saiba que vejo em você um dos lutadores mais promissores dessa nova fase da luta livre brasileira. Continue com o seu jeito maluco pois está dando certo, buscando a sua identidade no ringue e botando pra quebrar. Caso queira dar algum recado final, o espaço é seu.
SuperSonic: Considerações finas?! Ok.
Obrigado mais uma vez pelo espaço, parabéns pelo vosso trabalho e obrigado pela confiança! A estrada até me tornar um profissional é longa, mas com vosso apoio e com a grande base que tenho na BWF, com os melhores do ramo para me guiar, creio que quebrarei muitas barreiras ainda.
E você que esta aí lendo, rindo ou chorando de nossa realidade, coloque em mente uma coisa: A hora de inovar e agora! Academia da BWF está vindo ai e será um prazer ter todo e qualquer ser humano que quer o bem da luta livre treinando conosco.
A BWF está de portas abertas a mudanças, e se eu consegui, todo sonhador a amante da luta livre consegue, basta lutar pelos seus ideais!
Fiquem seguros, não se matem brincando em casa (eu já fiz muito disso, mas não aconselho...) e vamos todos juntos rumo à evolução da luta livre nacional!

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